terça-feira, 19 de maio de 2009

Sonho de uma amiga que tá loooonge...


Recife, 30 de março de 2009.


Hoje sonhei que estava passando por um engarrafamento enorme no Centro da Cidade, provocado por uma passeata. Quem liderava o protesto era a cantora Clara Nunes, com seu hino “...mulata de Angola que traz o chocalho amarrado na canela, será que ela meche o chocalho ou o chocalho é que meche com ela...”. Havia muitas mulheres reunidas nas ruas, com cartazes e faixas reivindicando o direto de poderem mostrar ou exibir o tornozelo. Uma vez que isso não era permitido pela sociedade. Eu via isso tudo de longe, dentro de um carro, olhando pela janela do carro, no banco de trás. Clara Nunes era muito assediada pelos jornalistas. E seu sorriso era realmente lindo.

Esse meu sonho me fez lembrar (ou quem sabe foi o contrário. A minha lembrança foi que fez eu sonhar) uma história que meu pai me contou, a vários anos atrás. Meu avô paterno, Vovô George, quando jovem, ia às paradas dos trens apenas para espiar as moças levantando levemente os longos vestidos para subirem os degraus do trem. E, assim, ele podia ver rapidamente os tornozelos das meninas.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Minha irmã

Dia desses sonhei com minha irmã, como sempre um sonho meio doido, mas eu lembro que ela ia me buscar em casa e me levava pra conhecer o lugar onde ela tava morando. Era tudo meio esquisito, primeiro que o prédio ficava no meio do nada, parecia um pouco com alguns bairros novos em João Pessoa, com ruas de barro e terrenos baldios.
O estacionamento do prédio era um desses terrenos logo ao lado dele, ou seja, o próprio prédio não tinha estacionamento pros condôminos... O apartamento era legal, grande, acho que tinha uns três quartos e a divisão era parecida com a casa da Barão de Granito, do quarto que a gente dormia juntas.
Ela me levava pra um quarto, lá tinha um computador roxo, que eu perguntava: "Que computador roxo é esse?" e ela respondia, "Mandei ajeitar aquele de lá de casa e voltou assim...".
Os outros quartos tinha tudo que era dela, mas tava super bagunçado, cheio de caixas e roupas fora do lugar, não tinha nada organizado. Eu lembro que olhava tudo e ficava impressionada como minha irmã, uma pessoa tão preocupada com a ordem, poderia estar bem diante daquela bagunça.
No entanto eu olhava pra ela e a doida estava com um sorriso meio bobo, meio tranquilo, meio de quem estava feliz com tudo aquilo alí.

Um amigo falando dos meus sonhos

opa ju, tudo bom?

como eu te disse lá na tomazina, dia desses eu descobri teu blog e senti vontade de comentar contigo sobre ele.

coisa e outra, idéias meio confusas, acabou que nunca postei lá. mas eu queria falar um pouco dele sabe? é que teus textos me chamaram muito a atenção.

de cara, é como se eu me sentisse invadindo uma intimidade - nada pode ser mais íntimo que os nossos sonhos - e, como não faço parte das dinâmicas das pessoas citadas ou mesmo pouco conheço de vc, me sinto meio intruso entre seus relatos.

e esse ler sem conhecer gera, em algumas ocasiões, impactos de surpresa. o relato do sonho em que vc encontrou "pedro" é um deles. comecei a ler sem saber o que havia se passado com seu amigo (ou parente, mas pela forma carinhosa com que vc escreve, alguém querido). só no meio do texto pude entender melhor e me envolver ainda mais com a história.

em outros momentos, acaba surgindo alguns pontos de identificação. de situações e de sensações que costumam estar presentes também em sonhos meus. a sua impotência no relato do sonho do bar do "girador de ouro preto" e até mesmo os sonhos com o pai que não mora mais junto.

mas o que eu mais gosto nos seus relatos é narrativa, o jeito simples e natural com que cê conduz seus textos sobre coisas tão subjetivas. me admira sua coragem de relatar com tanta tranquilidade assuntos extremamente pessoais.

parando agora para pensar, acho que escrevi esse e-mail por duas razões. a primeira delas é tornar vc, de alguma forma, um pouco ciente do que a leitura dos teus posts me despertou/ta.

a segunda diz mais respeito àquele lance de me sentir um intruso em meio a tanta vida da qual quase nada sei. é como se essa mensagem servisse como uma carta de permissão, uma solicitação para poder, de quando em quando, me familiarizar, me surpreender, me encantar com teus sonhos.

posso, né?

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gatis