
Recife, 30 de março de 2009.
Hoje sonhei que estava passando por um engarrafamento enorme no Centro da Cidade, provocado por uma passeata. Quem liderava o protesto era a cantora Clara Nunes, com seu hino “...mulata de Angola que traz o chocalho amarrado na canela, será que ela meche o chocalho ou o chocalho é que meche com ela...”. Havia muitas mulheres reunidas nas ruas, com cartazes e faixas reivindicando o direto de poderem mostrar ou exibir o tornozelo. Uma vez que isso não era permitido pela sociedade. Eu via isso tudo de longe, dentro de um carro, olhando pela janela do carro, no banco de trás. Clara Nunes era muito assediada pelos jornalistas. E seu sorriso era realmente lindo.
Esse meu sonho me fez lembrar (ou quem sabe foi o contrário. A minha lembrança foi que fez eu sonhar) uma história que meu pai me contou, a vários anos atrás. Meu avô paterno, Vovô George, quando jovem, ia às paradas dos trens apenas para espiar as moças levantando levemente os longos vestidos para subirem os degraus do trem. E, assim, ele podia ver rapidamente os tornozelos das meninas.
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